IVAN MUGIMBO POR TRÁS DA TRANSFORMAÇÃO DA MOBILIDADE ANGOLANA
Da expansão dos transportes por aplicativo à digitalização dos táxis azuis e brancos, Ivan Mugimbo tem desenvolvido a sua carreira em torno da tecnologia e da mobilidade urbana em Angola. Depois de liderar a Yango no país, o executivo assumiu, em Maio de 2025, o cargo de director de Inovação da ANDA, passando a trabalhar também em soluções para profissionais do sector informal.
Formado em Tecnologias de Informação e Sistemas de Informação Aplicados pela University of Johannesburg, Mugimbo iniciou o seu percurso profissional na área tecnológica, com passagens pela KPMG Angola e pela EY. A experiência em consultoria antecedeu a sua entrada na gestão de negócios de mobilidade.
YANGO: TRANSPORTE POR APLICATIVO
Entre Abril de 2022 e Abril de 2025, como director-geral da Yango em Angola, esteve ligado à expansão do serviço de transporte por aplicativo. A plataforma trouxe uma alternativa para quem procura viagens solicitadas pelo telemóvel, com preços definidos antes da deslocação e acompanhamento do percurso.
O modelo também abriu oportunidades para empresas locais e motoristas parceiros, embora os rendimentos dependam de factores como combustível, manutenção, comissões e procura.
Durante esse período, Mugimbo procurou conhecer de perto as dificuldades da operação, tendo experimentado o trabalho de motorista para compreender melhor os problemas enfrentados pelos utilizadores e parceiros.
ANDA E AZULINHO: APOSTA NA FORMALIZAÇÃO
Na ANDA, o foco passou a incluir a organização dos transportes em motorizadas e a integração dos trabalhadores na economia digital. A iniciativa procura criar condições para que profissionais que operam informalmente tenham acesso a ferramentas de pagamento e registos da sua actividade.
Uma das frentes dessa transformação é o Azulinho, projecto que procura introduzir pagamentos digitais nos táxis colectivos azuis e brancos de Luanda. Através de códigos QR e do Multicaixa Express, os passageiros podem pagar as viagens electronicamente, enquanto os operadores passam a dispor de registos das transacções.
Esses registos podem ajudar a documentar os rendimentos dos taxistas e facilitar a avaliação do seu perfil financeiro. O acesso a crédito, seguros e segurança social, porém, depende de requisitos próprios e não resulta automaticamente da utilização de pagamentos digitais.
A expansão do modelo exige adesão dos taxistas, confiança dos passageiros e soluções simples para as condições reais de trabalho.
O DESAFIO DOS RESULTADOS
A passagem de Mugimbo pela Yango e o seu trabalho actual na ANDA mostram duas frentes da modernização dos transportes: a expansão dos serviços digitais e a organização de actividades que continuam a funcionar, em grande parte, de maneira informal.
O impacto destas iniciativas deverá ser medido pela quantidade de operadores integrados, pelo uso efectivo dos pagamentos digitais, pela sustentabilidade dos negócios e pelos benefícios concretos para os trabalhadores.
Em Angola, onde os transportes garantem o rendimento de milhares de famílias, a tecnologia pode facilitar o acesso a novos serviços. O desafio está em transformar essa possibilidade em resultados duradouros para quem conduz, para quem trabalha com as plataformas e para quem utiliza os transportes diariamente.
Escrito por
Redação Clube De Valor