INVISTAM EM TODA A CADEIA DE PETRÓLEO E GÁS — E NÃO DEIXEM DE CONSIDERAR OUTROS SECTORES DA NOSSA ECONOMIA
José de Lima Massano abre Angola Oil & Gas 2026 com apelo directo ao capital nacional e internacional e apresenta petróleo e gás como porta de entrada para uma economia mais integrada
Angola quer mais do que investidores para extrair petróleo. Quer capital, tecnologia e conhecimento capazes de transformar os seus recursos naturais em indústria, emprego, empresas nacionais e novas cadeias de valor.
A mensagem foi deixada pelo Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, na abertura da 7.ª edição da Conferência e Exposição Angola Oil & Gas 2026, realizada em Luanda, sob o lema “Investir no Futuro de Angola”.
No encerramento da sua intervenção, Massano dirigiu um convite directo aos investidores nacionais e internacionais: “Invistam em Angola. Invistam em toda cadeia de petróleo e gás e não deixem de considerar outros sectores da nossa economia de reconhecido potencial.”
A declaração sintetiza uma ambição maior do Executivo: utilizar o sector petrolífero não apenas como fonte de receitas, mas como âncora para uma transformação mais ampla da economia angolana.
US$ 99 MIL MILHÕES E UMA NOVA FRONTEIRA EXPLORATÓRIA
Segundo os dados apresentados pelo Ministro, nos últimos nove anos foram investidos cerca de US$ 99 mil milhões no sector de petróleo, período em que foram perfurados 38 poços de exploração, dos quais resultaram 16 descobertas.
No mesmo intervalo, foram negociadas 72 novas concessões, estando 44 já assinadas e outras 28 em fase de aprovação.
Para o Governo, a dinâmica representa os efeitos das reformas destinadas a melhorar o ambiente de investimento e expandir a fronteira exploratória, procurando renovar reservas e criar condições para sustentar a produção petrolífera no longo prazo.
Mas a nova estratégia pretende capturar valor para além da produção de crude.
DO PETRÓLEO À INDÚSTRIA
O gás natural ocupa uma posição central nessa transformação.
Segundo Massano, o gás deixou de ser encarado essencialmente como um subproduto associado à produção petrolífera e passou a constituir um sector estratégico, com a exploração de gás não-associado e o desenvolvimento de projectos como Quiluma e Maboqueiro, no âmbito do Novo Consórcio de Gás.
A lógica é criar ligações entre diferentes sectores da economia.
O gás pode alimentar a produção de electricidade, abastecer consumidores industriais e domésticos e fornecer matéria-prima para a produção nacional de fertilizantes.
É justamente essa ligação que o Governo pretende aprofundar: recursos naturais → energia → indústria → agricultura → emprego → produção nacional.
A fábrica de fertilizantes no Soyo é apresentada nesse contexto como um projecto capaz de aproximar a indústria petrolífera da agricultura, reduzindo dependências externas e reforçando simultaneamente a segurança energética e alimentar.
REFINAÇÃO PARA RETER MAIS VALOR
A mesma lógica está presente na aposta na refinação.
A inauguração da Refinaria de Cabinda, em 2025, e a construção da Refinaria do Lobito, cuja entrada em funcionamento está prevista para 2028, fazem parte do esforço para aumentar a capacidade nacional de transformação dos hidrocarbonetos.
O objectivo é reduzir a dependência de importações de derivados, diminuir a exposição externa e fazer com que uma parcela maior do valor gerado pelos recursos angolanos permaneça dentro do país.
O INVESTIMENTO QUE ANGOLA PROCURA
Para Massano, contudo, nenhuma estratégia de longo prazo será completa sem Conteúdo Local.
Angola precisa de mais empresas nacionais capazes de fornecer bens e serviços à indústria petrolífera, mais quadros qualificados e maior participação de técnicos, gestores, empreendedores e empresários angolanos nas diferentes etapas da cadeia de valor.
Por isso, a agenda do investimento passa também por formação profissional, estágios e oportunidades de empreendedorismo.
A mensagem transmitida em Luanda é clara: o próximo ciclo de investimento não deve limitar-se a encontrar petróleo e gás; deve transformar esses recursos em capacidade produtiva nacional.
E é nesse ponto que surge a segunda parte do convite de Massano.
Depois de chamar os investidores para toda a cadeia de petróleo e gás, o Ministro pediu-lhes que olhem também para outros sectores da economia angolana com reconhecido potencial.
A aposta, portanto, é por um capital que atravesse a economia — dos hidrocarbonetos à energia, da indústria à agricultura, da refinação aos serviços, da tecnologia à formação.
Com estabilidade contratual, segurança jurídica, previsibilidade e competitividade do ambiente de negócios como condições para essa atracção.
Angola não está apenas a convidar o mundo a investir no seu petróleo. Está a tentar convencer o capital a investir na economia que pode nascer à volta dele.
Escrito por
Redação Clube De Valor