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10 PERGUNTAS COM: ADILSON NELUMBA

Por Redação Clube De Valor · 04/11/2026 · 7 min de leitura
10 PERGUNTAS COM: ADILSON NELUMBA

A ENTREVISTA

1. A engenharia foi a porta de entrada para a sua carreira, mas hoje lidera uma organização com interesses em sectores estratégicos. Que transformação pessoal e profissional foi necessária para passar de engenheiro a líder empresarial?

Resposta:

Foi uma transformação gradual. A engenharia ensinou-me a analisar problemas, trabalhar com rigor e encontrar soluções. Com o tempo, percebi que liderar uma organização exige ampliar essa visão: compreender o negócio, confiar nas pessoas e tomar decisões que criem valor a longo prazo.

A mudança mais importante foi deixar de procurar responder a todos os desafios pessoalmente e passar a criar condições para que as equipas possam resolvê-los. Isso implica ouvir, delegar, aprender continuamente e manter o foco numa visão comum.

Continuo a pensar como engenheiro, mas hoje procuro aplicar essa capacidade de análise à construção de equipas, parcerias e negócios sustentáveis.

2. A Copia Group of Companies tem procurado posicionar-se para além da prestação tradicional de serviços. O que é preciso para uma empresa angolana deixar de executar soluções concebidas por outros e começar a criar tecnologia, propriedade intelectual e soluções exportáveis?

Resposta:

Na Copia, a inovação tecnológica é concebida como uma convergência estratégica de ciência aplicada, inteligência computacional e engenharia, visando responder aos desafios cada vez mais complexos das indústrias.

A visão que impulsiona a evolução da COPIA é tornar-se um parceiro mais integrado, multidisciplinar e tecnológico, em vez de ser apenas um fornecedor de serviços de engenharia ou técnicos individuais. Ao unir a engenharia, as geociências, a energia e a transformação digital, a COPIA consegue abordar desafios cada vez mais complexos a partir de uma perspetiva mais ampla e de ponta a ponta. Para os clientes, traduz-se numa proposta de valor mais forte de várias formas:

• Expertise integrada
• Melhor tomada de decisões
• Inovação e eficiência
• Suporte em toda a cadeia de valor do ciclo de vida de um projecto
• Maior adaptabilidade

3. A inteligência artificial começa a ganhar espaço na indústria petrolífera angolana, inclusive através de soluções desenvolvidas pela Copia Group of Companies. Estamos perante uma verdadeira mudança estrutural na indústria ou ainda numa fase experimental?

Resposta:

A nossa ambição vai além do desenvolvimento tecnológico. Consideramos a engenharia de software indígena como uma componente estratégica da soberania tecnológica de Angola, permitindo o desenvolvimento progressivo de competências nacionais, um maior controlo sobre as capacidades digitais críticas e a adaptação de soluções computacionais às condições geológicas e operacionais específicas das bacias africanas

4. Angola fala há anos em conteúdo local, mas grande parte do valor dos grandes projectos continua a ser capturado fora do país. Onde estamos a falhar e o que precisa de mudar para que o conteúdo local se transforme em capacidade empresarial real?

Resposta:

A lei do conteúdo local, vai muito além da legislação. Quando muito se fala sobre a lei do conteúdo local, mas continuamos a depender fortemente do fornecimento externo para a produção local. Tudo parte da capacitação interna e da acreditação das empresas do sector em relação ao conteúdo local.

5. A Copia Group of Companies está a expandir a sua presença para outros mercados africanos, incluindo a Namíbia. O que uma empresa angolana precisa de ter para competir fora de Angola sem depender apenas da vantagem de ser uma empresa nacional?

Resposta:

A Copia Group of Companies, S.A, está posicionada, para impulsionar o crescimento da Namíbia através da experiência regional acumulada em Angola e da introdução de tecnologias avançadas de engenharia e inteligência artificial, atuando como um motor essencial para o desenvolvimento sustentável e a transformação económica do país.

E podemos segmentar isso em:
• Transferência de conhecimento, know-how, especialização, mentoria
• Inovação Tecnológica (IA, ML), competências digitais,
• E, em última análise, autonomia local, comprometimento, colaboração e parceria.

6. A entrada da Copia Group of Companies na fase seguinte do processo relativo ao Corredor do Namibe coloca a empresa perante uma oportunidade de grande dimensão. O que está verdadeiramente em jogo para Angola neste corredor e que papel pretende a Copia Group of Companies desempenhar?

Resposta:

O sector dos transportes é um motor, que impulsiona a industrialização, o investimento, diversifica a economia e permite a conectividade, além das fronteiras nacionais

E nós acreditamos que o próximo sector critico a emergir no país será o dos transportes, fruto daquilo que é o investimento que tem sido feito nesse sector e da necessidade de impulsionar o desenvolvimento desta industria.

Sem muita pronunciação sobre a nossa participação no concurso do corredor (assunto confidencial).

7. Angola possui recursos naturais, mas continua a enfrentar dificuldades em transformar esses recursos em industrialização e empregos qualificados. Na sua visão, o problema está na falta de recursos, na execução ou na capacidade de transformar estratégia em resultados?

Resposta:

A falta de recursos não é o problema, é o meio, os recursos são a nossa matéria-prima, mas isso por si só, não significa, nem se traduz em riqueza, o verdadeiro potencial está no uso dessa riqueza, na transformação dela e como isso pode impulsionar, a diversificação económica, criação de empregos, investimento local e desenvolvimento sustentável.

Angola tem um potencial enorme de recursos naturais, na verdade temos reservas que ainda nem foram estimadas, o gap está na monopolização do mercado e na falta de industrias transformadoras.

8. Há uma nova geração de engenheiros, gestores e empreendedores angolanos a entrar no mercado. As empresas estão preparadas para lhes dar espaço para liderar ou continuamos excessivamente dependentes de estruturas e modelos de gestão tradicionais?

Resposta:

É precisamente nesse fator, onde reside a problema, o desafio não está apenas na preparação desses jovens, mas também na abertura das empresas para lhes dar oportunidades reais de liderança.

O verdadeiro desafio é criar um ambiente em que a juventude possa demonstrar o seu valor, a experiência possa ser transmitida e a liderança seja conquistada pela competência e pela responsabilidade. Afinal, não basta preparar uma nova geração para o mercado; as empresas também precisam de se preparar para confiar nela.

Por outro lado, os métodos tradicionais continuam a ter o seu espaço, no entanto é necessário, estar atento a dinâmica do mercado e acompanhar o que se faz de novo na industria, o melhor cenário possível é que, consigamos combinar essa experiência com novas competências, novas tecnologias e uma mentalidade mais orientada para resultados.

9. Como empresário e líder, qual é hoje a decisão mais difícil que Angola precisa de tomar para construir uma economia verdadeiramente produtiva e menos dependente do petróleo?

Resposta:

Segundo a estrutura económica, o sector petrolífero, ainda representa o pilar fundamental para as receitas de exportação e orçamento do Estado.

Angola precisa apostar fortemente noutros sectores, noutras industrias a fim de impulsionar o crescimento, a diversificação e a competitividade do mercado. No entanto isso não será imediato, é parte de uma cultura transicional, e as industrias necessitam de tempo para que possam ganhar robustez, atingir maturidade, para que possam competir ativamente no mercado.

10. Se tivesse de escolher uma única mudança que deveria acontecer nos próximos cinco anos para aumentar a competitividade das empresas angolanas no mercado africano e internacional, qual seria, e porquê?

Resposta:

Capacitação interna, educação. As empresas angolanas não podem estar dependentes do Know How externo, e isso é uma realidade.

A base de tudo é a educação, é necessário Know How, que posteriormente nos dará autonomia e consequentemente aumentara a competitividade e a produção.

Conclusão

Ao longo da conversa, fica evidente que a competitividade de Angola depende da capacidade de transformar recursos naturais em conhecimento, tecnologia, indústria e empresas com capacidade para actuar nos mercados internacionais.

Para o executivo da Copia Group of Companies, a educação e a capacitação interna são condições fundamentais para alcançar essa autonomia. A inteligência artificial, a engenharia e a integração de competências surgem como instrumentos para acelerar esse processo.

A mensagem central é clara: Angola precisa de desenvolver capacidade própria para deixar de depender do conhecimento externo e passar a produzir soluções, tecnologia e valor que possam competir dentro e fora do país.

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