Tecnologia

DEPOIS DE 3 ANOS E 400 MIL DÓLARES... PING, O “WHATSAPP” GRÁTIS PARA ANGOLA

Por Redação Clube De Valor · 06/10/2026 · 3 min de leitura
DEPOIS DE 3 ANOS E 400 MIL DÓLARES... PING, O “WHATSAPP” GRÁTIS PARA ANGOLA

Três anos de desenvolvimento e mais de 400 mil dólares investidos deram origem a uma aplicação criada para responder a um dos problemas mais concretos da vida digital em Angola: comunicar quando o utilizador já não tem saldo de internet.

O Ping Chat, desenvolvido pela startup angolana WiConnect, chega ao mercado com uma proposta pouco comum. A aplicação permite trocar mensagens sem que o tráfego de utilização seja descontado do saldo de dados móveis, graças a acordos de Zero Rating estabelecidos com as operadoras Unitel e Africell.

A aplicação, que já passou por uma fase de testes com centenas de utilizadores, tem o lançamento oficial previsto para Outubro de 2026.

MAIS DO QUE UM “WHATSAPP ANGOLANO”

A comparação com o WhatsApp surge pela função mais evidente: mensagens instantâneas. Mas a lógica por detrás do Ping é diferente.

A WiConnect desenvolveu o serviço especificamente para o contexto angolano, onde o custo da conectividade continua a ser uma barreira para uma parte significativa da população, sobretudo entre os jovens.

O objectivo é simples: permitir que a falta de saldo de dados não signifique necessariamente ficar sem comunicação.

O sistema depende de uma arquitectura de tráfego não tarifado. Na prática, quando o utilizador está ligado à rede das operadoras abrangidas pelos acordos, o tráfego necessário para utilizar o Ping não é descontado do pacote de internet.

É uma solução que exige, porém, mais do que o desenvolvimento de uma aplicação. A negociação com as operadoras e a integração técnica foram parte essencial do projecto.

COMO O PING SE PAGA?

A resposta está na publicidade.

O modelo de negócio prevê que os utilizadores possam receber créditos para enviar mensagens mediante a visualização de anúncios. Um anúncio de aproximadamente 20 segundos pode gerar 20 “pings”, que funcionam como créditos de utilização.

Desta forma, a aplicação procura transformar a atenção do utilizador em receita para financiar a comunicação gratuita.

O modelo aproxima o Ping de uma lógica ad-supported, mas com uma particularidade: a publicidade não serve apenas para monetizar a audiência. Está directamente relacionada com a possibilidade de oferecer comunicação sem consumo convencional de dados.

TRÊS ANOS E MAIS DE 400 MIL DÓLARES

O Ping não nasceu como um projecto de curto prazo.

Segundo informações divulgadas pela equipa, foram necessários cerca de três anos de desenvolvimento e um investimento superior a 400 mil dólares para construir a plataforma.

Por detrás do projecto está Paulo Araújo, cofundador e CEO da WiConnect Angola, com formação em Matemática e Gestão, ao lado de Francisco Caculo, também cofundador.

A equipa posiciona o projecto como uma resposta tecnológica à exclusão digital, procurando construir uma ferramenta adaptada às condições específicas do mercado angolano em vez de simplesmente replicar modelos desenvolvidos para mercados com níveis de conectividade diferentes.

UMA STARTUP A TENTAR RESOLVER UM PROBLEMA LOCAL

A WiConnect já desenvolve iniciativas relacionadas com conectividade e inclusão digital, incluindo a participação no programa AngolaOnline, em parceria com o Governo.

O Ping surge, nesse contexto, como uma extensão da mesma lógica: não apenas colocar mais pessoas online, mas reduzir o custo de permanecerem conectadas.

A plataforma deverá estar disponível para Android e iOS, além de contar com uma versão web para utilização em computadores.

O desafio agora muda de natureza.

Depois de três anos de desenvolvimento e de um investimento superior a 400 mil dólares, a questão deixa de ser apenas tecnológica. O verdadeiro teste será conseguir transformar uma solução criada para as limitações do mercado angolano numa plataforma com escala suficiente para competir pela atenção dos utilizadores.

Porque criar um aplicativo de mensagens é uma coisa.

Criar um ecossistema de comunicação capaz de fazer os angolanos mudarem de hábito é outra.

← Ver mais artigos

Artigos recomendados

BOLSAS DE ESTUDO - BODIVA CIMEIRA DE LIDERANÇA