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Economia

BANCO MUNDIAL TRIPICOU CAPITAL PRIVADO PARA 112$ MIL MILHÕES EM 2026

Por Redação Clube De Valor · 21/09/2026 · 4 min de leitura
BANCO MUNDIAL TRIPICOU CAPITAL PRIVADO PARA 112$ MIL MILHÕES EM 2026

O Grupo Banco Mundial mobilizou um valor recorde de US$ 112 mil milhões em capital privado durante o exercício financeiro de 2026, alcançando o maior volume da sua história e mais do que triplicando o montante registado quatro anos antes.

Segundo dados divulgados pelo World Bank Group, o capital privado mobilizado passou de US$ 35 mil milhões em 2022 para US$ 112 mil milhões em 2026. Somando o financiamento próprio da instituição, o volume total de financiamento e mobilização destinado às economias em desenvolvimento ultrapassou US$ 200 mil milhões no período.

O crescimento também foi significativo em diferentes grupos de rendimento. Nos países de rendimento médio-baixo, a mobilização aumentou de US$ 14 mil milhões para US$ 37 mil milhões. Nas economias de rendimento médio-alto, passou de US$ 12 mil milhões para US$ 50 mil milhões, enquanto nos países de baixo rendimento permaneceu em torno dos US$ 3 mil milhões, reflectindo as dificuldades adicionais para atrair investimento privado para mercados considerados de maior risco.

ÁFRICA RECEBE MAIS CAPITAL PRIVADO

África esteve entre as regiões que registaram uma evolução expressiva.

O capital privado mobilizado pelo Grupo Banco Mundial para o continente aumentou de aproximadamente US$ 9 mil milhões em 2022 para US$ 22 mil milhões em 2026, representando um crescimento de quase 150%.

O resultado surge num contexto em que os países africanos procuram ampliar o investimento privado em sectores capazes de gerar crescimento económico, infra-estruturas, produtividade e emprego.

Para o Grupo Banco Mundial, a mobilização de capital não deve ser avaliada apenas pelo volume financeiro, mas também pela capacidade de transformar investimento em oportunidades económicas e postos de trabalho.

O DESAFIO: 1,2 MIL MILHÕES DE JOVENS E 420 MILHÕES DE EMPREGOS

A dimensão do desafio é particularmente relevante para os países em desenvolvimento.

De acordo com o Grupo Banco Mundial, cerca de 1,2 mil milhões de jovens deverão atingir a idade activa nas economias em desenvolvimento nos próximos 10 a 15 anos.

No mesmo período, estão projectados apenas cerca de 420 milhões de novos empregos.

A diferença entre o número de jovens que entrarão no mercado de trabalho e o número estimado de empregos disponíveis coloca a criação de emprego no centro da estratégia de desenvolvimento económico.

O sector privado desempenha um papel determinante neste processo: segundo o Grupo Banco Mundial, nove em cada dez empregos nas economias em desenvolvimento são criados pelo sector privado.

CINCO SECTORES NA LINHA DA FRENTE

A estratégia do Grupo Banco Mundial está concentrada em sectores considerados com elevado potencial de criação de emprego e atracção de investimento.

Entre eles estão:

- Infra-estruturas e energia;
- Agronegócio;
- Saúde;
- Turismo;
- Indústria transformadora de maior valor acrescentado.

Durante o exercício financeiro de 2026, 55% do financiamento total do Grupo Banco Mundial — incluindo recursos próprios e capital mobilizado — foi direccionado para estes sectores.

A instituição considera que investimentos nestas áreas podem contribuir simultaneamente para melhorar as bases físicas e económicas das sociedades, aumentar a actividade empresarial e criar empregos em escala.

GARANTIAS SUPERAM META PARA 2030

Outro indicador relevante foi o volume de garantias emitidas.

O Grupo Banco Mundial emitiu mais de US$ 25 mil milhões em garantias em 2026, superando antecipadamente a meta de alcançar US$ 20 mil milhões anuais até 2030.

A expansão foi impulsionada pela World Bank Group Guarantee Platform, criada em 2024 para simplificar o acesso de investidores e países clientes aos diferentes instrumentos de garantia disponibilizados pelo Grupo Banco Mundial.

As garantias funcionam como instrumento de redução de risco, podendo facilitar a entrada de capital privado em mercados onde factores regulatórios, cambiais, políticos ou de execução tornam os investimentos mais complexos.

MAIS CAPITAL, MAIS INVESTIDORES

A estratégia do Grupo Banco Mundial passa agora por ampliar a base de investidores capazes de participar no financiamento das economias em desenvolvimento.

A instituição está a desenvolver mecanismos de originate-to-distribute (O2D), procurando estruturar e distribuir investimentos em maior escala junto de investidores institucionais.

A intenção é aproximar os grandes volumes de capital de longo prazo existentes nos mercados globais das oportunidades de investimento disponíveis nos países em desenvolvimento.

O objectivo, segundo o Grupo Banco Mundial, é mobilizar mais capital, de mais fontes, e direccioná-lo para actividades capazes de gerar emprego e oportunidades económicas.

O CAPITAL PRECISA DE CHEGAR À ECONOMIA REAL

O recorde de US$ 112 mil milhões representa uma mudança relevante na escala de mobilização de capital privado pelo Grupo Banco Mundial. Mas os próprios dados da instituição colocam uma questão adicional: quanto desse capital consegue transformar-se em empresas, infra-estruturas, produtividade e empregos?

A resposta dependerá da capacidade dos países de melhorar os ambientes de negócios, reduzir barreiras ao investimento, fortalecer os sistemas regulatórios e criar condições para que o sector privado consiga crescer.

Para economias africanas, onde a necessidade de infra-estruturas, energia, industrialização e emprego permanece elevada, a capacidade de transformar capital mobilizado em investimento produtivo será um dos factores determinantes para converter financiamento em crescimento económico sustentável.

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