30% DOS DIAMANTES DO MUNDO ASSINA ACORDOS EM LUANDA
ANGOLA E BOTSWANA TRANSFORMAM PESO DIAMANTÍFERO EM NOVA AGENDA DE NEGÓCIOS COM FOCO NO PETRÓLEO, CORREDOR DO LOBITO, AGROINDÚSTRIA E COMÉRCIO
LUANDA — Dois dos principais produtores mundiais de diamantes naturais reuniram-se em Luanda e deram um novo passo para transformar o peso mineral dos dois países numa relação económica mais abrangente. Angola e Botswana, que juntos representam cerca de 30% da produção mundial de diamantes em volume, assinaram acordos e reforçaram a cooperação em sectores que vão muito além da mineração.
A aproximação acontece num momento em que a indústria mundial de diamantes enfrenta uma conjuntura desafiante, marcada pela pressão sobre os preços, menor procura internacional e crescente concorrência dos diamantes produzidos em laboratório. Para Angola e Botswana, a resposta passa também por diversificar as fontes de crescimento e aprofundar as cadeias de valor.
O potencial da parceria é significativo. Angola produziu cerca de 15,2 milhões de quilates em 2025, enquanto o Botswana registou aproximadamente 15,5 milhões, colocando os dois países próximos dos 31 milhões de quilates combinados.
Mas os diamantes são apenas o ponto de partida.
REFINARIA DO LOBITO NO RADAR DO BOTSWANA
Entre os interesses estratégicos está o sector energético. O Botswana manifestou interesse na Refinaria do Lobito, um dos maiores projectos industriais de Angola, com investimento estimado em cerca de 6,6 mil milhões de dólares e capacidade projectada de processamento de até 200 mil barris de petróleo por dia.
Uma eventual participação botsuanesa acrescentaria uma dimensão regional ao projecto e poderia contribuir para a segurança energética de Gaborone, enquanto Angola reforçaria a capacidade de atrair capital e parceiros para uma infraestrutura destinada a reduzir a dependência de produtos refinados importados.
CORREDOR DO LOBITO PODE LIGAR BOTSWANA AO ATLÂNTICO
Na área dos transportes, infra-estruturas e logística, o grande activo é o Corredor do Lobito.
A ligação ao Atlântico através do Porto do Lobito abre ao Botswana novas possibilidades para movimentar minerais, produtos agrícolas, equipamentos e outras mercadorias, criando uma alternativa logística para um país sem saída para o mar.
Para Angola, a expansão do corredor significa a possibilidade de transformar o Lobito numa plataforma regional de comércio e logística, atraindo investimentos e integrando mercados da África Austral.
AGROINDÚSTRIA E COMÉRCIO
A cooperação estende-se ainda à agricultura, pecuária, agroindústria e comércio.
Angola procura ampliar a produção nacional e desenvolver cadeias de transformação, enquanto o Botswana possui experiência relevante no sector pecuário. A aproximação pode gerar oportunidades em produção, processamento, segurança alimentar, comércio de carne e outros produtos, além de novas parcerias empresariais.
O desafio passa agora por converter os acordos políticos em investimento privado, comércio efectivo, infra-estruturas e cadeias de valor transfronteiriças.
DOS DIAMANTES PARA UMA PARCERIA ECONÓMICA
O significado estratégico da aproximação é precisamente este: Angola e Botswana não estão apenas a discutir como explorar melhor os seus diamantes. Estão a discutir como utilizar a força que possuem nos diamantes para construir uma relação económica muito maior.
Petróleo, energia, logística, infra-estruturas, agricultura, agroindústria e comércio passam a integrar uma agenda bilateral que pode aproximar duas economias da África Austral e reforçar a integração regional.
30% dos diamantes do mundo podem ter sentado à mesa em Luanda. Mas o verdadeiro negócio pode estar no que os dois países decidirem construir para além dos diamantes.
CLUBE DE VALOR | ECONOMIA & NEGÓCIOS
Escrito por
Redação Clube De Valor