100 MILHÕES NA NIGÉRIA EM 2025... SERÁ QUE ANGOLA VAI FAZER MELHOR?
A corrida de barcos eléctricos que chega à Baía de Luanda nos dias 12 e 13 de Setembro coloca Angola diante de uma oportunidade económica que vai muito além do espectáculo desportivo. O verdadeiro desafio será transformar a realização do E1 Luanda GP 2026 em consumo, turismo, negócios e projecção internacional para o país.
O precedente mais próximo está na Nigéria. A etapa de Lagos do UIM E1 World Championship, realizada no final de 2025, foi associada a uma estimativa de cerca de 100 milhões de dólares em impacto económico local, impulsionada por turismo, hotelaria, bilheteira premium, patrocínios e actividade comercial.
A dimensão económica da competição ajuda a explicar o interesse crescente de cidades e investidores. A própria E1 registou 25,9 milhões de libras de receitas no exercício financeiro de 2024, cerca de 34 milhões de dólares, provenientes do seu modelo global de negócio, que combina direitos de corrida, patrocínios, transmissão e taxas associadas às equipas.
Mas é precisamente no impacto local que Luanda terá de provar o seu potencial.
O DESAFIO ANGOLANO
Em Angola, a realização da prova foi apresentada pelas autoridades como um evento de custo zero para os cofres do Estado. Segundo o Ministério do Turismo, não existe verba orçamental destinada à realização da corrida, estando o investimento assegurado por patrocinadores e entidades privadas.
Isso altera a equação económica: se o Estado não financia directamente o evento, a principal pergunta passa a ser quanto a economia angolana conseguirá capturar em retorno.
Hotelaria, restauração, transportes, comércio, entretenimento, serviços de eventos e turismo são alguns dos sectores que podem beneficiar da chegada de visitantes nacionais e estrangeiros.
Há também uma dimensão de posicionamento internacional. A presença de personalidades associadas à competição, incluindo nomes como Will Smith e LeBron James, aumenta a capacidade do evento de gerar exposição mediática para Luanda e para a marca Angola.
UMA CORRIDA QUE TAMBÉM É UM NEGÓCIO
O modelo da E1 é diferente do de campeonatos tradicionais. A organização controla os barcos RaceBird utilizados pelas equipas e monetiza a competição através de direitos, patrocínios, transmissão e outras receitas comerciais.
Para as cidades-sede, entretanto, o valor potencial está sobretudo no chamado efeito multiplicador do evento: o dinheiro gasto por visitantes e empresas circula pela economia local.
Em Luanda, a própria estrutura de bilheteira revela a tentativa de explorar diferentes segmentos de consumo. Os acessos gerais começam nos 30 mil kwanzas por dia, enquanto a hospitalidade premium pode atingir 2,5 milhões de kwanzas por pessoa no pacote de fim de semana.
A questão, portanto, não é apenas quantas pessoas assistirão à corrida.
É quanto cada visitante gastará, quantos estrangeiros virão, quantas noites permanecerão nos hotéis, quanto será consumido nos restaurantes, quanto as empresas investirão e quanto dessa actividade permanecerá na economia angolana.
LUANDA CONSEGUIRÁ SUPERAR LAGOS?
Os US$100 milhões associados ao impacto económico de Lagos estabelecem uma referência particularmente elevada para Luanda.
Mas comparar directamente os dois mercados exige cautela. Impacto económico não significa necessariamente receita da organização da corrida, nem dinheiro arrecadado pelo Estado. Trata-se de uma estimativa da actividade económica gerada em torno do evento.
Por isso, o sucesso do E1 Luanda GP não deverá ser medido apenas pela dimensão da audiência ou pelo número de celebridades presentes.
A verdadeira medida será económica.
Se Lagos conseguiu projectar cerca de US$100 milhões em impacto local, quanto conseguirá Luanda gerar com dois dias de corrida na sua Baía?
A resposta dependerá da capacidade de Angola transformar um espectáculo internacional num produto turístico, comercial e empresarial.
Porque, no fim, a corrida dura dois dias.
O impacto económico, se bem estruturado, pode durar muito mais.
Escrito por
Redação Clube De Valor