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Empreendedorismo

TAL PAI, TAL FILHA... A DINASTIA VAAL NETO

Paulo Vaal Neto construiu, desde 1992, um dos grupos empresariais mais conhecidos do sector automóvel angolano. Diandra Vaal Neto Simões recebeu o desafio de levar esse legado para uma nova geração.

Por Redação Clube De Valor · 31/08/2026 · 7 min de leitura
TAL PAI, TAL FILHA... A DINASTIA VAAL NETO

TAL PAI, TAL FILHA… A DINASTIA VAAL NETO

Paulo Vaal Neto construiu, desde 1992, um dos grupos empresariais mais conhecidos do sector automóvel angolano. Diandra Vaal Neto Simões recebeu o desafio de levar esse legado para uma nova geração. Entre automóveis, mobilidade, tecnologia e novas áreas de negócio, a família Vaal Neto protagoniza uma das sucessões empresariais mais interessantes de Angola.

No sector empresarial angolano, construir uma empresa é difícil. Transformá-la num negócio familiar capaz de atravessar gerações é ainda mais complexo.

A história da família Vaal Neto enquadra-se precisamente nesse desafio.

No centro está o Grupo Chana, fundado em Luanda em 1992 por Paulo Vaal Neto. O que começou como um negócio de comercialização de viaturas usadas evoluiu, ao longo de mais de três décadas, para um grupo empresarial com actividades no sector automóvel, mobilidade, aluguer de viaturas, assistência técnica e representação de marcas internacionais.

Hoje, a liderança está nas mãos da geração seguinte.

Diandra Vaal Neto Simões, filha primogénita de Paulo Vaal Neto, assumiu a Presidência do Conselho de Administração do Grupo Chana em Outubro de 2023, substituindo o fundador e dando início a uma nova etapa na história da empresa familiar.

PAULO VAAL NETO: O HOMEM QUE CONSTRUIU A CHANA

Paulo Vaal Neto começou a construir o Grupo Chana em 1992, num mercado automóvel ainda bastante diferente do actual.

A empresa iniciou actividade essencialmente na venda de automóveis usados. Mas as mudanças na legislação angolana acabariam por obrigar o grupo a reinventar o modelo de negócio.

A alteração das regras de importação, que passou a restringir a entrada de veículos ligeiros usados com mais de três anos, obrigou a Chana a abandonar progressivamente a dependência desse segmento e a apostar na comercialização de veículos novos e, posteriormente, na representação oficial de marcas internacionais.

Foi precisamente essa capacidade de adaptação que ajudou a transformar uma empresa inicialmente focada na venda de usados num grupo com uma presença muito mais ampla no mercado de mobilidade.

Em 2020, o grupo avançou para a formalização como sociedade anónima, num processo que procurou reforçar a estrutura empresarial e preparar a organização para uma nova fase de crescimento.

A transformação continuou.

Em 2021, a Chana lançou a Angobavaria, tornando-se concessionária autorizada para comercializar e prestar assistência às marcas BMW, Mini e BMW Motorrad em Angola. No mesmo período, o grupo passou também a representar oficialmente a marca chinesa BAIC no mercado angolano.

O negócio que começou com automóveis usados tinha-se transformado numa plataforma empresarial de mobilidade.

MAIS DE 30 ANOS DEPOIS, A SUCESSÃO

A passagem de Paulo Vaal Neto para a filha não aconteceu de forma repentina.

Diandra já vinha construindo o seu percurso dentro da empresa.

Formada em Administração de Empresas e Gestão de Empresas Familiares pela Stetson University, nos Estados Unidos, Diandra entrou para o Grupo Chana em 2018.

O percurso incluiu áreas como marketing corporativo, inovação, assistência técnica, planeamento estratégico e administração.

Em 2020, tornou-se membro do Conselho de Administração. Mais tarde, assumiu responsabilidades na Chana Assistência Técnica e Serviços e, em Janeiro de 2023, passou a liderar a Direcção de Planeamento Estratégico do grupo.

Ou seja, quando chegou à presidência, Diandra já conhecia a organização por dentro.

A sucessão foi, portanto, mais do que uma simples transferência de poder entre pai e filha.

Foi o resultado de um processo de preparação dentro da própria empresa.

DIANDRA VAAL NETO: A NOVA GERAÇÃO

Ao assumir a presidência, Diandra encontrou uma empresa com mais de três décadas de história, mas também um mercado completamente diferente daquele em que o pai iniciou o negócio.

A indústria automóvel está a ser transformada pela digitalização, pelas novas formas de mobilidade, pelo crescimento das plataformas digitais e pela entrada de novos fabricantes, sobretudo asiáticos.

É neste ambiente que a nova liderança procura posicionar o Grupo Chana.

A estratégia passa por transformar a empresa de uma concessionária tradicional num operador mais amplo de soluções de mobilidade.

Em Maio de 2024, o grupo lançou a Chana MAIS, uma plataforma digital que reúne serviços como compra e venda de viaturas novas e usadas, aluguer, agendamento de manutenção, leilões e assistência em estrada.

A lógica é clara: deixar de vender apenas automóveis para construir um ecossistema de mobilidade.

DE PAULO PARA DIANDRA: O QUE MUDA?

A geração de Paulo Vaal Neto construiu o negócio através da presença física, da comercialização de automóveis e da conquista de representações oficiais.

A geração de Diandra enfrenta uma realidade diferente.

O cliente está cada vez mais digital.

As marcas chinesas estão a ganhar espaço.

A mobilidade está a deixar de estar limitada à propriedade de um automóvel.

E a tecnologia passou a ser parte integrante da experiência de compra e pós-venda.

Por isso, o desafio da nova PCA não é simplesmente preservar a Chana.

É transformar a Chana.

A própria trajectória profissional de Diandra revela essa orientação para estratégia, transformação organizacional, inovação e tecnologia.

O PRIVILÉGIO E O DESAFIO DE NASCER NUMA EMPRESA FAMILIAR

A sucessão familiar também levanta uma questão inevitável.

Até que ponto a chegada de Diandra ao topo representa apenas continuidade familiar e até que ponto representa competência construída dentro da própria organização?

A resposta exige separar duas coisas.

Diandra teve acesso a uma realidade que muitos jovens empreendedores não têm: cresceu próxima de uma empresa familiar com mais de três décadas, conhecendo os seus desafios e processos por dentro.

A própria empresária reconheceu publicamente esse factor, descrevendo-se como uma founder privilegiada precisamente por ter crescido dentro de uma empresa familiar e ter tido contacto directo com os desafios de construir um negócio duradouro em Angola.

Mas esse privilégio também cria uma responsabilidade maior.

Porque receber um negócio construído pelo pai é diferente de construir um negócio do zero.

O verdadeiro teste está em provar que se consegue acrescentar valor ao que já existe.

O GRUPO CHANA DEPOIS DO FUNDADOR

A grande pergunta para a família Vaal Neto é agora saber se a segunda geração conseguirá fazer aquilo que todas as empresas familiares ambicionam:

crescer sem perder a identidade e modernizar-se sem destruir aquilo que tornou o negócio bem-sucedido.

Paulo Vaal Neto construiu uma empresa durante mais de 30 anos.

Diandra recebeu a responsabilidade de conduzi-la numa era marcada pela transformação tecnológica e pela redefinição do conceito de mobilidade.

O fundador construiu a estrada.

A nova geração terá de decidir para onde conduzir.

A DINASTIA VAAL NETO

A história do Grupo Chana é, no fundo, uma história de sucessão empresarial.

Paulo Vaal Neto construiu.

Diandra Vaal Neto Simões recebeu o comando.

Mas uma dinastia empresarial não se mede apenas pelo facto de o poder passar de pai para filha.

Mede-se pela capacidade da geração seguinte de preservar o património empresarial, profissionalizar a organização, criar novos negócios e fazer a empresa crescer para além daquilo que recebeu.

Mais de três décadas depois da fundação da Chana, a família Vaal Neto entrou numa nova fase.

Paulo Vaal Neto construiu o legado. Diandra Vaal Neto tem agora a missão de transformá-lo.

E talvez seja precisamente aí que começa o verdadeiro teste da segunda geração:

conseguir provar que não recebeu apenas uma empresa — recebeu uma história que precisa de continuar a ser escrita.

Tal pai, tal filha. Mas cada geração tem de construir o seu próprio capítulo.

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