Economia & Negócios

O QUE ELAS TÊM EM COMUM?

Por Redação Clube De Valor · 07/10/2026 · 5 min de leitura
O QUE ELAS TÊM EM COMUM?

Cinco mulheres, quatro empresas e um sector que ganhou espaço na economia angolana: a produção e realização de eventos corporativos.

Há eventos que duram algumas horas, mas exigem semanas ou meses de preparação. Uma conferência pode envolver dezenas de fornecedores, equipas técnicas, convidados nacionais e estrangeiros, cenografia, audiovisual, protocolo, comunicação, segurança, transporte e uma operação que muitas vezes começa muito antes de o primeiro convidado chegar.

Em Angola, este mercado tem crescido à medida que empresas, instituições e marcas passaram a utilizar eventos para apresentar produtos, reunir parceiros, discutir sectores económicos, aproximar clientes e reforçar a sua presença pública.

É neste espaço que encontramos cinco mulheres com percursos diferentes, mas ligadas à mesma indústria: Isabel Fernandes, CEO da BE EXECUTIVE; Lisandra Nelumba, CEO da LIS Eventos; Karina Barbosa, CEO da NEXT Events; e Carolina Freitas e Poupée Martinho, fundadoras da AUTHENTIC AO.

O ponto em comum está no sector em que trabalham. A forma como cada uma chegou até ele e o tipo de eventos que produz são diferentes.

ISABEL FERNANDES E A BE EXECUTIVE

À frente da BE EXECUTIVE, Isabel Fernandes trabalha sobretudo com eventos dirigidos ao universo empresarial e executivo.

O segmento tem uma característica particular. Muitas vezes, o valor de um evento não está no número de pessoas presentes, mas em quem está na sala. Executivos, investidores, empresários, representantes de instituições e outros decisores podem encontrar num mesmo espaço oportunidades de relacionamento que dificilmente surgiriam num contacto convencional.

Por isso, encontros executivos, conferências, sessões de networking e outros formatos corporativos passaram a fazer parte da estratégia de relacionamento de muitas organizações.

A produção exige atenção a detalhes que o público normalmente não vê. Desde a escolha do espaço até à gestão dos convidados, passando pela programação, protocolo, audiovisual e acompanhamento dos participantes.

LISANDRA NELUMBA E A LIS EVENTOS

Lisandra Nelumba lidera a LIS Eventos, empresa que actua na produção e organização de diferentes formatos de eventos.

A empresa tem estado ligada também a produções de maior dimensão, incluindo trabalhos relacionados com o sector empresarial e energético. A participação em eventos como o Angola Oil & Gas mostra a escala que algumas destas operações podem atingir.

Uma conferência desta dimensão exige muito mais do que montar um palco. Há uma operação de produção que envolve montagem, decoração, identidade visual, equipamentos, fornecedores, equipas técnicas e coordenação durante todo o evento.

Para quem assiste, tudo parece acontecer de forma simples. Para quem produz, cada detalhe precisa de ser pensado antes.

KARINA BARBOSA E A NEXT EVENTS

Karina Barbosa é uma das profissionais com uma presença mais conhecida na indústria de eventos em Angola.

À frente da NEXT Events, desenvolveu uma trajectória ligada à produção e gestão de eventos, trabalhando com diferentes formatos e públicos.

O trabalho de uma empresa deste sector pode envolver desde eventos corporativos e institucionais até grandes produções, lançamentos, cerimónias e experiências de marca.

A diferença está muitas vezes na escala. Um pequeno evento pode ser coordenado por uma equipa reduzida. Uma produção com centenas ou milhares de participantes exige outra estrutura, outros fornecedores e uma capacidade maior de coordenação.

Também exige capacidade para lidar com aquilo que não estava previsto. Um equipamento que falha, uma alteração de última hora, um convidado que chega antes do previsto ou uma mudança no programa podem obrigar a equipa de produção a tomar decisões rapidamente.

CAROLINA FREITAS E POUPÉE MARTINHO, DA AUTHENTIC AO

Carolina Freitas e Poupée Martinho construíram a AUTHENTIC AO com uma abordagem que aproxima eventos, comunicação, marcas e experiências.

A empresa apresenta no seu portefólio trabalhos para organizações e marcas como Standard Bank, Fundo Soberano de Angola, Unitel, Coca-Cola e Fenty Beauty, entre outras.

A AUTHENTIC AO também afirma ter produzido mais de 40 eventos corporativos entre 2022 e 2023.

Um exemplo da dimensão deste trabalho foi o evento “Angola: Horizontes para um Futuro Sustentável”, que reuniu participantes para discutir questões relacionadas com sustentabilidade e o futuro do país.

Neste tipo de produção, o evento precisa de estar alinhado com aquilo que a organização quer comunicar. A escolha do espaço, o conteúdo, a imagem, os convidados e a experiência criada para o público fazem parte da mesma operação.

UMA INDÚSTRIA QUE VAI ALÉM DO PALCO

A dimensão da indústria torna-se mais clara quando se olha para os grandes eventos realizados em Angola.

O Angola Oil & Gas, por exemplo, reúne empresas, investidores, entidades governamentais e profissionais de vários países. A edição de 2026 chegou a reunir mais de 2.500 participantes de 45 países.

Há também conferências empresariais, fóruns económicos, encontros de investidores, lançamentos de produtos, galas, exposições e eventos institucionais que movimentam centenas de pessoas.

Para cada grande produção existe uma cadeia de profissionais e empresas por trás. Audiovisual, iluminação, som, cenografia, catering, segurança, transporte, fotografia, vídeo, impressão, comunicação, protocolo e montagem são apenas algumas das áreas envolvidas.

Por isso, quando uma empresa contrata uma produtora para realizar uma conferência, está a contratar muito mais do que um espaço bonito ou um palco bem montado. Está a contratar capacidade de organização.

O QUE ELAS TÊM EM COMUM?

Isabel Fernandes, Lisandra Nelumba, Karina Barbosa, Carolina Freitas e Poupée Martinho trabalham com modelos diferentes e têm posicionamentos próprios.

Mas existe um ponto de encontro: todas actuam num sector em que a capacidade de organizar pessoas, fornecedores, marcas e experiências se tornou uma actividade económica relevante.

A indústria de eventos corporativos acompanha o crescimento da própria actividade empresarial. Quanto mais empresas procuram reunir clientes, parceiros, investidores e equipas, maior é a necessidade de profissionais capazes de transformar essas ocasiões em experiências bem executadas.

Em Angola, esta indústria ainda tem espaço para crescer. E estas cinco mulheres fazem parte de um mercado que, aos poucos, deixou de ser visto apenas como apoio às empresas e passou a ocupar um lugar próprio dentro da economia de serviços.

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