10 ANOS DEPOIS DA PRIMEIRA FUSÃO NO SECTOR BANCÁRIO ANGOLANO
A união entre o Banco Millennium Angola e o Banco Privado Atlântico deu origem, em 2016, ao Banco Millennium Atlântico, uma instituição que procurou combinar a experiência no segmento de retalho com a capacidade de financiamento e a ambição de crescimento no mercado bancário angolano. Dez anos depois, o ATLANTICO consolidou a sua posição entre os maiores bancos do país, com uma base de clientes superior a 3,3 milhões e resultados financeiros em recuperação.
A fusão juntou duas instituições com posicionamentos complementares. O Millennium Angola trazia uma presença relevante no segmento de particulares e empresas, enquanto o Banco Privado Atlântico contribuía com a sua experiência na banca de investimento, no financiamento empresarial e no relacionamento com grandes clientes. A integração permitiu construir uma estrutura com maior alcance comercial e capacidade para atender diferentes segmentos da economia.
Ao longo dos anos, o banco procurou reforçar a sua presença no mercado através da expansão dos serviços, da digitalização e do financiamento à actividade económica. A dimensão alcançada pela sua carteira de clientes reflecte a importância da componente de retalho herdada do antigo Millennium Angola, que ajudou a ampliar o alcance da marca no território nacional.
DA FUSÃO À CONSOLIDAÇÃO NO MERCADO BANCÁRIO
A operação foi oficializada em Maio de 2016 e é considerada a primeira fusão no sector financeiro angolano. O ATLANTICO incorporou o Banco Millennium Angola, integrando os activos, passivos e operações das duas instituições. A fusão teve efeitos contabilísticos reportados a 1 de Janeiro de 2016, embora a sua concretização formal tenha ocorrido em Maio do mesmo ano.
Na altura, o banco resultante da operação passou a ocupar uma posição de destaque no mercado, sendo apontado como a segunda maior instituição privada em crédito à economia. A integração permitiu ampliar a capacidade de financiamento às empresas e famílias, ao mesmo tempo que reforçou a presença no segmento de particulares.
A evolução posterior reflectiu a aposta num modelo de banca universal, com serviços presenciais e digitais, financiamento empresarial e soluções dirigidas a diferentes perfis de clientes. Em 2024, o banco dispunha de uma rede de 104 agências, segundo o seu relatório e contas.
OS LUCROS E O DESAFIO DA RECUPERAÇÃO
A trajectória financeira do ATLANTICO também foi marcada pelos efeitos das dificuldades macroeconómicas enfrentadas por Angola, incluindo a desvalorização cambial e as consequências da pandemia da Covid-19.
Em 2019, o banco registou um resultado líquido de 30,4 mil milhões de kwanzas, valor que recuou para 15,6 mil milhões em 2020, uma queda de aproximadamente 48%, de acordo com os dados apresentados para esta análise.
A recuperação não foi imediata. Em 2024, o resultado líquido consolidado situou-se em 16,8 mil milhões de kwanzas. No exercício de 2025, os lucros terão aumentado para 22,04 mil milhões de kwanzas, correspondendo a um crescimento de 31,04% face ao ano anterior.
A evolução ganhou novo ritmo em 2026. No segundo trimestre, o ATLANTICO registou um resultado líquido de 12,63 mil milhões de kwanzas, contra 8,35 mil milhões no período homólogo de 2025, representando um aumento de 51,20%. No mesmo período, os activos passaram de 2,07 biliões para 2,60 biliões de kwanzas, uma expansão de 25,80%.
O desempenho trimestral foi associado ao crescimento da margem financeira e à evolução da carteira de títulos e do crédito líquido. Caso a tendência se mantenha, 2026 poderá representar um dos exercícios mais fortes da instituição em termos de rentabilidade desde a pandemia.
UM NOVO PATAMAR NA BANCA ANGOLANA
No início de 2026, o ATLANTICO terá ultrapassado o Banco BIC, actualmente Banco EuroBic, em volume de activos, consolidando a terceira posição no ranking bancário nacional, atrás do BAI e do BFA. Os dados divulgados para o segundo trimestre, que apontam para activos de 2,60 biliões de kwanzas, reforçam a dimensão alcançada pela instituição.
A base de clientes, superior a 3,3 milhões, é outro indicador da escala conquistada desde a fusão. A integração das operações do Millennium Angola contribuiu para ampliar a presença da marca junto dos particulares e das empresas, permitindo-lhe chegar a um universo mais abrangente de clientes.
Dez anos depois da operação, o Banco Millennium Atlântico representa um dos exemplos mais relevantes de consolidação no sector financeiro angolano. A fusão permitiu reunir duas estruturas bancárias numa única instituição, que evoluiu de uma posição de destaque no crédito à economia para uma presença entre os maiores bancos do país em activos.
O desafio passa agora por transformar essa dimensão em crescimento sustentável, preservar a qualidade dos activos, reforçar a confiança dos depositantes e ampliar o financiamento à economia real.
Escrito por
Redação Clube De Valor